quarta-feira, 20 de maio de 2015

Relato de uma profissional, licenciada em pedagogia, que teve a oportunidade de trabalhar com uma criança especial pelo período de um ano. Abaixo temos a transcrição de uma pequena entrevista com essa professora.

Entrevistada: K. P. R.
Data da entrevista: 19/05/15
Pedagoga licenciada pela Uniritter em 2013
Escola onde teve experiência: EMEI Paulo Freire / Porto Alegre

A entrevistada, K. P. R., atuou na referida escola municipal como estagiária de inclusão durante um ano. A menina em questão tinha dois anos, tinha problemas de locomoção (nasceu com os pés virados), necessitando utilizar botas ortopédicas, ela se locomovia com muita dificuldade.
A mãe da menina era prostituta, usava drogas e tinha o vírus HIV, quem levava a menina na escola era sua avó que fazia de tudo para que a menina não faltasse as aulas mesmo com problemas para se locomover.

1) Como você iniciou seu trabalho na escola?

K. P. R. - Através da SMED, no ano de 2011, me foi possibilitado ingressar em uma escola municipal como estagiária de inclusão, ou seja, com atribuições específicas para auxiliar um aluno com necessidades especiais.

2) Como era composta a equipe que trabalhava com você nessa turma?

K. P. R. – Uma professora e uma monitora, ambas concursadas, além de mim, única estagiária de inclusão da escola. Minha função era única e exclusivamente de auxiliar a menina em tudo que ela precisasse como locomoção, alimentação e atividades com o grupo.

3) Como era a infraestrutura da escola para receber pessoas com necessidades especiais

K. P. R. – Satisfatória. Visto que algumas servidoras possuíam algum tipo de deficiência (cadeirantes) a escola possuía rampas de acesso e palestras com ações afirmativas no processo de formação dos professores.


4) Qual a maior dificuldade encontrada em todo o período de estagio?

K. P. R. – Com certeza o relacionamento familiar da menina. Ela morava apenas com a avó. O pai estava preso e a mãe estava no hospital psiquiátrico, à beira da morta, em estado avançado do vírus HIV. Embora a avó se esforçasse ao levar a menina todos os dias a aula, era visível a falta de cuidados por parte da família com relação ao vestuário, higiene e alimentação da menina (que acabava ficando a cargo da escola). Outro ponto é que ele deveria usar uma “botinha” especial todos os dias para correção do seu problema nos membros inferiores. Entretanto, muitas vezes ela chegava na escola sem a botinha, relatando aos profissionais da escola que ela usara a bota ortopédica apenas na escola, sendo retirada dela quando chegava em casa.

5) Comparando com outras escolas, como você vê as ações afirmativas e a infraestrutura que está sendo implementada nas escolas como forma de receber melhor as crianças com algum tipo de deficiência?


K. P. R. – Na minha opinião melhorou muito nos últimos cinco anos. Já lecionei em escolas estaduais, municipais e, atualmente, estou em uma escola particular e, em todas elas, vi melhorias em relação a isso. Acredito que as mudanças de leis e de uma maior conscientização de toda a sociedade fez com que houvesse uma melhora nesse sentido. Propaganda na TV, leis para acessibilidade em estabelecimentos comerciais, vagas em concursos públicos e em empresas privadas aumentaram a participação dessas pessoas na sociedade, algo que é e está sendo muito benéfico para a inserção de crianças com necessidades especias

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